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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Vamos num show de Rap? - por Mamuti NusCorre*



- “E aí, mano! Vamos colar num show de rap?”.

-“Num dá, tô sem din!”.

Essa frase tem sido frequente entre os nossos por quê? Além do fato de o din tá escasso pra todo mundo, os shows de rap andam cada vez mais caros, em lugares cada vez mais difíceis de nossos irmãos e irmãs aparecerem, e os bons shows de rap tão ficando elitizados.

Diz quem, há 10 anos, imaginaria ver shows de rap frequentes na região central da cidade, que não fossem festas da Rádio 105 FM ou eventos comemorativos das datas 13 de maio e 20 de novembro? Muitos veem isso como progresso - eu também - desde que pra isso o rap não tenha que sair das quebradas, que é o que vem acontecendo.

Já não bastava o rap perder grande espaço para o funk, por ter se perdido entre discursos xiitas e orelhadas exageradas na juventude, as pessoas ainda tiram os eventos de rap das quebradas, o que distancia ainda mais a música do público, e faz a gente perder mais espaço; afinal as festas da Dinamite, Furacão, Tsunami, acontecem lá a preços populares, possibilitando um entretenimento mais barato e prazeroso aos nossos.

Muitos dos artistas que as pessoas rotulam como “alternativos” e “undergrounds” reclamam que não tem espaço nas quebradas, mas já pararam pra se perguntar quantos desses se preocupam em colar em eventos que acontecem nelas e estar em mídias acessíveis a todos? A maioria deles só está na internet e nas festas do centro. Pois é, aí não adianta chorar.

Lógico, que a culpa não é só dos organizadores e grupos: o público também está ficando mal acostumado. Houve uma época aonde as pessoas iam das suas quebradas para outras pra ver eventos, e hoje, muitos desses mal vão a eventos no seu bairro, apenas em festas que forem no centro. Agora me diz, por que, tendo uma festa na sua quebrada, ou em alguma outra, onde os preços de bebida e entrada são mais acessíveis (às vezes entrada franca, evento na rua), as pessoas vão até o centro pagar 15, 20 reais na entrada da balada, onde uma água custa 5 reais?

A gente precisa voltar a ter aquela cultura de organizar/frequentar shows em campos, quadras, quermesses, meio da rua. Há alguns projetos que lutam por isso (NaRua, Jambaque, Hip Hop Na ação, Hip Hop Em Ação, Reviva Rap, Reduto do Rap, entre outros), mas estando lá como público e até fazendo parte da organização de dois, vejo muito descaso dos frequentadores de eventos com shows em quebrada, e por que? Porque não tem glamour da Rua Augusta? Porque não é no centro? Às vezes, as pessoas demoram mais pra chegar no centro do que pra ir num evento que é “longe”, e ainda assim falam mal dos eventos em quebrada!

Hey, MCs! Hey, público! Hey, organização... Nada contra as festas no centro, mas nós queremos o rap de volta em nossas quebradas, de onde ele nunca deveria ter saído!

 Mamuti NusCorre

www.zeroonzeep.nuscorre.com.br

www.nuscorre.com.br

"Se o que é real nunca morre, nós tamo aí... NusCorre"

Mamuti NusCorre é tecnólogo em Produção Audiovisual, vice-campeão da Liga dos MC’s 2011, no Rio de Janeiro.Integrante do grupo NusCorre, é co-idealizador do festival Reviva Rap e fundador do site Voz da Rua. Foi campeão das batalhas de mc da “Rinha dos MC’s”, “Peleja da Gangueiragem”, “Batalha do Santa Cruz”, “Super Contra” e “Rua do Flow” (interior de São Paulo).

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Quem é mais fã? - por Fabys For Fun*



 Já perceberam que hoje em dia, até no meio do Rap, tem rolado competições pra saber quem é mais fã que quem?

    Se você não sabe o número que o cara calça, você é poser. Se você não sabe o aniversário da mãe de todos os integrantes do grupo, você é modinha. Se você não sabe a lista completa das músicas que tocaram no show do Amapá em janeiro de 1998, você não é digno de ouvir o som do cara.

   Isso é mesmo necessário? Os fãs deveriam se unir pelo bem da carreira do ídolo, e não ficarem competindo e se classificando. Hierarquia até nos momentos de lazer? Será mesmo que eu, por estar no meio do Rap há 16 anos, sou mais fã do que o moleque que começou a ouvir agora, mas vai a todos os shows, compra os CDs, compra a camiseta...?

  Tem que ser como minha prima, que era fã do Tande (da seleção masculina de vôlei), e quando ele casou, ela entrou em depressão. Ficou mais de mês sem sair de casa, só chorando. Isso é que é ser fã? Pior que essa história é verdade! Até hoje o assunto "Tande" é proibido em festas de família. JURO!

  Hoje em dia a moda dos fã-clubes está voltando. Eu, no auge dos meus quase 30 anos, não tenho paciência pra esse tipo de coisa, mas acho que faz parte da adolescência e juventude, além de ser um ótimo incentivo para o artista. Mas não é porque você é do tal fã-clube que pode desmerecer o fã que não é.

   Sábado fui com um amigo ao show do Instituto e convidados (Kamau, B Negão, Thalma de Freitas e Carlos Dafé), tocando Tim Maia Racional. E esse amigo passou o dia inteiro dando pulinhos porque iria ver a homenagem ao Tim Maia, que era um de seus grandes ídolos.

OK!

 Estávamos nos divertindo, cantando, dançando, e quase no fim do show ele vira e pergunta: "Os caras não vão tocar nenhuma do Tim Maia?" Na hora eu fiz um olhar alt6 né (¬¬), e nem respondi. Claro que eu acho meio absurdo alguém ser super- fã do Tim Maia e não conhecer a fase mais interessante e importante da sua carreira, mas depois fiquei pensando: “E daí?": o cara foi no show, curtiu demais, dançou, cantou... O que tem que ele não conhece certa fase do artista? Tá certo que é uma fase importante pra todo cenário musical brasileiro, mas e daí? Com certeza ele aproveitou mais o show do que grande parte do público que estava lá.

  Enfim, temos que parar de achar que somos donos da música, donos dos artistas... Vamos compartilhar conhecimento ao invés de debochar dos que sabem menos do que a gente. Vamos nos unir pra elevar o nível de alcance do artista que a gente gosta. Garanto que a sensação de ver alguém que somos fãs fazendo sucesso é muito boa! Tentem isso em casa! hahaha

 A música agradece!

 *Fabys For Fun é fã de Rap desde criançinha.

 http://www.orapinforma.com/

 msn: fabysforfun@hotmail.com

 twitter: @fabysforfun

 tumblr: www.fabys.tumblr.com

 myspace: www.myspace.com/fabysforfun

quarta-feira, 13 de abril de 2011

"O Rap virou Pop?" - por Lucas Tristão*

O rap virou pop. Ou ao menos foi isso que disse a revista Época esses dias nessa matéria aqui. Concordando ou não com o conteúdo produzido pelos jornalistas em questão, assim que  li a o título da coisa já pensei: "Isso vai dar merda."

Desde então, tenho reparado que tem muita gente insatisfeita com essa reportagem. Mas o que me incomoda e que o que os tem irritado é o uso do termo Pop, e não a forma como os artistas foram retratados na matéria.

O fato é que a palavra Rap e a palavra Pop não podem estar na mesma frase sem que haja algum tipo de antagonismo entre elas. Os fãs mais xiitas tem pesadelos com isso. E o Pop já é tão mal visto no rap, que virou até xingamento em batalhas de MC.

Mas porque esse medo todo de virar Pop? O Rap não é uma música de mensagem, transformação e de mudança? Então por que não fazer essa mensagem chegar a cada vez mais pessoas? Afinal de contas, os fãs  “convencionais“ nós já temos, portanto eles já concordam e já assimilaram a mensagem.

Infelizmente, música Pop, pro fã "comum" de rap, já é automaticamente associada à rimas idiotizadas, micaretas, diamantes e biatchs americanas quando na verdade, não precisa ser assim. O Brasil mesmo tem artistas consagrados de outros gêneros, e que continuam produzindo música de qualidade. Os EUA, os pais do nosso querido Rap, já provaram que é possível ganhar a mídia sem fazer música ruim (Common, Jay-z, Eminem, Kanye West e tantos outros).

A verdade é que ser Pop não é pecado. Claro, as raízes do movimento precisam ser respeitadas. Ninguém aqui discorda disso. Mas esse respeito não pode se transformar em exagero e acabar sendo contra-produtivo para a criação. Afinal de contas, Rap é uma forma de Arte. E Arte costuma quebrar parâmetros, desafiar fórmulas e arquétipos.

O problema da matéria não reside na classificação do Rap como Pop. O problema da matéria está na quebra de um estereótipo para a formação de um outro. Na construção de uma oposição que deprecia tanto o “rap antigo e mal encarado" quanto o "rap novo pop e colorido” que eles construíram na revista.

No fim das contas, a mídia continua mostrando despreparo e preconceito para falar da música que a gente ama. E a gente, ao começar a criticar os artistas retratados e não o veículo que fez a parada, continua mostrando desunião e total despreparo para lidar com a mídia.

Desse jeito, nunca poderemos mesmo ser Pop. Para os Mcs inseguros, os artistas frustrados, fãs ciumentos e jornalistas preconceituosos a sensação deve ser de missão cumprida.



*Lucas Tristão é MC, integrante do Crewolina Crew e estudante de Publicidade e Propaganda.

@LucasTristao

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Timm Arif (Primeira Função) lança videoclipe "O Mito da Caverna"

No sábado, dia 09/04, aconteceu no Espaço Cultural no Fim do Mundo, a Massala Hip-Hop Party, primeira edição da grade de eventos da produtora Massala Diversidade Cultural. A atração principal da festa, no entanto, não era a produtora, e sim a estreia do videoclipe do Mc Timm Arif, integrante do grupo Primeira Função.

“O Mito da Caverna” é um trabalho da produtora em parceria com o grupo e o diretor Iuri Stocco (ISSV), também diretor de “Paulistano” do MC Mamuti NusCorre e “Cartas”, de Vitor Vieira. Filmado em dois dias nas ruas do Jardim Brasil, ‘quebrada’ oficial do Primeira Função, o clipe teve a participação de vários moradores locais e de outro profissionais do segmento, como o DJ Will, residente da festa Sintonia e DJ de Rael da Rima.

O clipe e a música de “O Mito da Caverna” fazem uma analogia com a obra do filósofo Platão, que retrata seres humanos dentro de uma caverna, não necessariamente a física, mas a caverna da limitação, que impede de nos libertar da condição de escuridão,  não nos deixando enxergar a luz da verdade. No clipe, simbologicamente foi usada uma venda, materializada como a caverna, que pode nos aprisionar na ignorância, seja ela circunstancial ou opcional, desde pequenos ou então, com o conhecimento e cultura, nos livrar desta venda (caverna) e enxergarmos a realidade das coisas, pessoas e situações.

Confira as entrevistas com o diretor Iuri Stocco e o editor do clipe, Base MC,  o ensaio fotográfico dos dias de gravação, realizado pela fotógrafa da equipe Massala, Jess Penido, e o tão elogiado videoclipe “O Mito da Caverna”

Entrevistas concedidas a Fabiola Ribeiro e Ana Fonseca

Iuri Stocco

Massala Diversidade Cultural - Como surgiu a ideia para o roteiro do clipe?
Iuri Stocco - A ideia inicial surgiu num telefonema com o Base MC, quando ele me explicou sobre o “mito da caverna”, que eu até então desconhecia. Base me cercou dessa referência, e eu fiquei pensando em como materializar a mitologia em um objeto, e o que mais me simbolizava isso era a venda.  Daí pra frente eu montei um pequeno storyboard em casa, e  no meio dos desenhos me veio à ideia de usar uma criança que simbolizasse o Timm, como se ele fosse a antítese do mito: ele estava vivendo com as sombras, no plano perfeito das ideias, mas prefere desnuviar os olhos e viver a realidade, seja ela qual fosse.

MDC - Esse é seu terceiro vídeo clipe. Já consegue definir seu estilo de direção e produção, ou isso varia de roteiro para roteiro?
IS - Apesar de ser o terceiro clipe, o estilo de direcionar os atores ou músicos varia de roteiro para roteiro. Cada clipe carrega suas características particulares, ele é a tradução da música em imagem, então tenho que estar aberto para o que a música vai mostrar: quando ouço, vou montando cenas na cabeça e pensando em referências no cinema, taí! Talvez isso defina uma espécie de estilo, sempre para montar o clipe uso referências do cinema, não de outros videoclipes que eu tenha visto.

MDC - Como é o processo de escolha das imagens para o trabalho?
IS - Como eu não sei editar vídeos, sempre tem um editor comigo, o processo é meio maluco, pois eu filmo as cenas e vou numerando elas com as mãos no final de cada take, ai falo para o editor: "pega a cena 5 até tal ponto, e corta para cena 10 seguido do insert 4 e vai pro fade out!!!" Faço como um diretor de teatro ou o controlador do Swicher na Televisão.

MDC - No que o clipe de “O mito da caverna” se difere dos outros clipes de rap?
IS - Acredito que a diferença está na ideia que trazemos por trás do clipe, e ela vai além de filmar o grupo cantando e registrar 'inserts' de denúncia; o clipe caminha para o lirismo, afinal a maior denúncia já nos cobre os olhos!! Já esta na hora de sair da caverna, de arrancar a venda...



Base MC


Massala Diversidade Cultural - Como surgiu a ideia para o roteiro do clipe?
Base MC - O Roteiro surgiu das trocas de ideia nos ensaios  juntamente com  Timm Arif. Nessas conversas veio à minha mente a ideia da faixa, e ai com as ideias dele, do Fahim, do Akilah e do Iuri fizemos a parada! Colocamos em prática as nossas viagens, influências e nossa visão de como seria um clipe pra essa música!

MDC – Por que a temática do “mito da caverna”? Por que a escolha dessa mitologia, e não outra, por exemplo?
BMC – A escolha da temática foi do próprio Timm. Não só ele, como nós todos acreditamos que o “mito da caverna” é a mitologia mais facilmente adaptada à realidade em que vivemos, onde as pessoas, muitas vezes por opção, ficam na “caverna” por pura ignorância, sem querer tirar essa venda dos olhos, sair da situação, enxergar e enfrentar a realidade, seja no trabalho, na música, nas relações humanas.

MDC - Quais foram os recursos técnicos utilizados na edição do clipe?
BMC – Para a edição não teve muito segredo: chegamos à produtora, descarregamos as imagens, assisti todo o material bruto de mais 3 horas de filmagem e aproveitamos as melhores cenas, um processo normal de edição, numa ilha profissional da produtora Zumbi Filmes, onde tivemos condições de usar efeitos mais profissionais.

MDC – Em sua opinião, o que difere o Primeira Função dos outros grupos de Rap?

BMC – Acredito que a diversidade é um ponto forte no grupo. Diversidade etária, de experiências. Somos um grupo, mas temos vivências muito diferentes, e isso graças a Deus, contribui de forma positiva: o Akila Jelani é o mais velho, e traz toda uma bagagem musical diferente, uma formação mais old school e de muita história musical; o Fahim é o integrante mais novo, então ele traz na sua formação influências mais recentes, como Sabotage, por exemplo. O Timm é, digamos mais ‘intelectual’, é poeta, ama livros então as suas composições têm realmente um traço forte de trabalho com mitologias e analogias mais ricas. E eu sou um apanhado disso tudo, consigo beber de todas essas fontes diferentes, e assim se forma o Primeira Função!

ASSISTA O CLIPE:

http://www.youtube.com/watch?v=4RuGEvFNvGE&feature=feedf

Ensaio Fotográfico por Jess Penido:


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Colunista do Massala, Bárbara Ladeia escreve sobre o "Black na CenaMusic Festival"

Resenha por Ana Fonseca

A jornalista e colunista do Massala, Bárbara Ladeia, escreveu para o jornal Brasil Econômico, em 05/04, a matéria “Evento de música negra agita mercado de entretenimento” sobre o “Black na Cena Music Festival”, que acontecerá nos dias 22 a 24 de julho deste ano, no Arena Anhembi, em São Paulo.

O Festival já está sendo anunciado nas redes sociais. Os maiores destaques, sem dúvida, serão George Clinton, Public Enemy e Redman, mas também contarão com nomes brasileiros importantes como Sandra de Sá, Racionais MC’s, Thaíde e Xis.

O que, na verdade, merece um destaque e uma reflexão, é a atenção dos profissionais realizadores de grandes espetáculos musicais, cada vez maior, com a música negra e suas vertentes. Em maio, teremos o “Urban Music Festival”, que conta com apresentações de John Legend, The Roots e Emicida, e logo depois o festival que é destaque deste post. O que é importante ressaltar, é que, mesmo em processo vagaroso, o meio da música negra está angariando interesse, investimentos, patrocínios, enfim, uma ascensão em vários sentidos.

Isso aumenta a responsabilidade de todos os envolvidos com o segmento de um modo geral: MC’s, DJ’s, beatmakers, produtores e demais profissionais. Se o mercado em geral está “de olho” e querendo investir, é nosso dever sim trabalhar para que possamos realmente ser observados como PROFISSIONAIS, genuinamente falando, cada qual em sua área de atuação, e principalmente que o nosso trabalho é de qualidade, e merece respeito e atenção, primeiramente de nós mesmos (de um pelo outro), para que isso possa passar a acontecer entre profissionais de outros segmentos artístico-musicais. Ou seja, um caminho também de “dentro para fora”.

Sim, “é muita oportunidade para as mesmas pessoas”, mas não podemos esquecer que também somos nós que fazemos nossas próprias oportunidades, e aí é que o profissionalismo e a qualidade artística de cada um se tornam itens de primeira necessidade na evolução de nossas carreiras.

Veja a matéria de Bárbara Ladeira para o Brasil Econômico aqui

http://www.brasileconomico.com.br/noticias/evento-de-musica-negra-anima-mercado-de-entretenimento_100123.html

Confira a programação do “Black na Cena Music Festival”, segundo o G1 – Pop e Arte

Dia 22 – Sandra de Sá / Baile do Simonal (Wilson Simoninha e Max de Castro) / George Clinton

Dia 23 – Marcelo Yuka / Xis / Public Enemy

Dia 24 – Thaíde / Racionais MC’s / Redman

http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/04/festival-traz-ao-brasil-shows-de-public-enemy-e-george-clinton.html

Segundo o site oficial do festival, mais atrações serão confirmadas em breve. Serão 20 nomes nacionais e internacionais em mais de 30 horas de música. Os ingressos para o Black na Cena, dedicado à música e cultura negra, começam a ser vendidos nesta quarta-feira (6) por R$ 100 e R$ 50 (meia-entrada), preço do primeiro lote, por meio do site http://www.zetks.com/.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Vai, não -Vai dos Incentivos Culturais - por Helton Gomes*

Quem manteve pelo menos um dos dois ouvidos abertos há duas semanas sobre o que rolava no Brasil, ouviu falar do imbróglio. Ela pediu uma autorização. Os manda-chuvas da cultura deram. Ilegal a parada não era. Qualquer cidadão pode apresentar um projeto cultural e se valendo da Lei Rouanet, caso seja aprovado, captar a grana junto a quem tem dinheiro. A treta é que toda essa movimentação era para viabilizar a criação de um blog com orçamento de R$ 1,3 milhão. A título de mensurar a bufunfa, dá pra pegar o busão em São Paulo mais de 433 mil vezes.

Mas peralá, estamos falando de 365 vídeos (um para cada dia do ano), dirigidos pelo Andrucha Waddington (“Eu, tu, eles”, “Lope”, manja?), em que Maria Bethânia (Tropicália, manja?) declamaria poesias em língua portuguesa (Pedro Bi...digo, Camões, Fernando Pessoa, manja?).

A grana não é dada assim de graça também. Funciona na base da renúncia fiscal. A empresa que patrocinar o projeto descontará o valor do imposto de renda devido. Ao invés de ser dinheiro que sai dos cofres públicos, é dinheiro que deixará de entrar.

Não deu outra. Geral caiu de pau. Onde já se viu? Uma artista famosérrima utilizar essas ferramentas públicas para financiar sua arte. E qual é o problema? Parece existir um sentimento de que a autorização para captar recursos recebida pela Bethânia pode, de alguma forma, tirar o doce de alguém. Enquanto há uma caralhada de parlamentares sendo instado a explicar o vai-vém responsável pela grana em seus bolsos, a artista, que vai pela onda da via legal para financiar o projeto dela, é apedrejada.

Mas, enquanto isso, mamãe já dizia (mentira!): quem planta trabalho, colhe din din (excetua-se dessa equação, claro, a variante tempo). Mas, é bom ressaltar – ou avisar os incautos, né – que isto é somente uma metáfora. Nem tente procurar mudas de árvore de dinheiro. No eczistem.

Bom, enquanto essa discussão do blog rolava, o processo do VAI (Valorização de Iniciativas Culturais) foi concluído, escolhendo os projetos que serão subsidiados pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo em 2011. Dos 797 inscritos, 147 foram selecionados. A verba do VAI, a grana destinada ao rateio entre os projetos, que era de R$ 2, 75 milhões subiu para R$ 3,05 milhões, devido ao “aumento de propostas enviadas, bem como a qualidade das mesmas”, segundo a pasta.

E vindo fortalecer a cena do Hip Hop, dez projetos contemplam a cultura. Fiquem ligados que vem coisa boa por aí; as iniciativas são:
-Hip Hop Cultura de Rua
-Rádio Love Rap
-Festival & Prêmio Reviva Rap
-Rinhas do MC´s
-Web TV Hip Hop Mulher
-Mapeamentos - Hip Hop por São Paulo
-Germinação Hip Hop
-Hip Hop, Poesia e Inteligência
-Voz Feminina Hip Hop ReEvolução
-Graffiti'art
-Breaking The Floor 2
-"Hip Hop Conectando Quebradas: de Inocência a Maria da Penha"


*Helton Gomes é jornalista.

quinta-feira, 31 de março de 2011

PONARRU lança "Ta Mentindo Tindo Tindo" de Raphão Alaafin e James Bantu



O selo PONARRU não poderia ter escolhido data melhor! Justo no dia 01/04, popularmente conhecido como “Dia da Mentira”, o selo lança o videoclipe da música “Ta Mentindo Tindo Tindo”, que pertence ao projeto em conjunto do MC Raphão Alaafin e do músico James Bantu.

Dialogando sobre a mentira nos tempos modernos, a música fala sobre diversos acontecimentos, inclusive sobre o incidente envolvendo Bantu e o Banco do Brasil, em fevereiro deste ano.

A produção musical de “Ta Mentindo Tindo Tindo” é do próprio PONARRU, e a gravação foi no estúdio Casa 1. A direção e edição do videoclipe ficou por conta de Green Alien, que se destaca cada vez mais na área de produção de clipes musicais no Rap. Green será responsável por todo o registro em vídeo deste projeto e pelos clipes do selo.

A faixa tem previsão de ser lançada oficialmente ao final de 2011, no EP especial desta parceria entre Raphão e James.

Apesar de ser o “Dia da Mentira”, a verdade é que tanto a música quanto o clipe estão excelentes! Confira o vídeo de “Ta Mentindo Tindo Tindo”

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=BmJBp8tSycw&w=480]



Para baixar e ouvir a fiaxa, confira o Sound Cloud do MC Raphão

http://soundcloud.com/raphao/james-bantu-e-raph-o-alaafin

quarta-feira, 30 de março de 2011

Sobre Pia Quebrada, Fotografia e Diálogo - por Jess Penido*


Todos querem deixar sua marca no mundo. Seja um rabisco em uma parede, uma pia quebrada, matar pessoas ou fazer algo artístico. Alguns nascem com vocação artística e não a usam ou simplesmente nasceram para olhar pinturas, mas insistem em querer pintar. E não se trata de estar errado ou certo, bonito ou feio, o importante é deixar uma marca, algum resquício de que um dia você existiu.

Talvez você se contente em quebrar uma pia, mas eu quero ousar ser eterna e a fotografia é um dos “por onde”, assim como espero que ela seja meu “enfim”, pra um dia poder dizer á ela “enfim sós”.

O interesse é antigo e o envolvimento é recente, o que faz a fotografia me ser familiar e intrigante. E o que começou como hobby, hoje tem proporções de futuro e de novas escolhas. Engraçado até, por pensar que eu já tinha escolhido o que ser quando crescer só não tinha acertado o dardo na fileira certa.

Hoje sou estudante de Relações Internacionais com um faro esquisito pra jornalismo e uma mania estranha de fotografar as pessoas sem que elas vejam. Foi com essa descrição que consegui achar meu lugar no mundo: o tal do Fotojornalismo, yay! Meu primeiro professor de fotografia disse que eu tinha o dom pra coisa, gosto de acreditar que ele esteja certo.

Qualquer arte é baseada na sua raiz e nas coisas que fazem parte do que você é, portanto com a música e principalmente com o RAP foi assim, da forma mais natural possível. E em meses já trabalhei com tanta gente talentosa e já me orgulhei de tantos trabalhos que as projeções futuras só podem ser de longo alcance. Dizem que o céu é o limite, eu acho que tem muito chão depois do céu.

Contudo é preciso muito estudo e foco, quem acha que ser Fotografo é apontar a câmera e apertar o botão do obturador está redondamente enganado, por que fotografar qualquer um pode, mas transmitir algo através da fotografia é para poucos. Ser eterno é para poucos. É necessário enxergar algo que está aquém do simbólico, ou seja, o real. Sendo assim, para transmitir algo é preciso ter algo a dizer...

E então, você tem algo a dizer?
--

Jess Penido
www.flickr.com/jesspenni
@jesspenido

*Jess Penido é fotógrafa do Massala Diversidade Cultural, Rua do Flow, NusCorre, Coisa Simples Estúdio e Radar Urbano.

sexta-feira, 25 de março de 2011

MC Pixote Xiita (Família 4 Vidas) dá entrevista exclusiva



Afastada do centro da cidade onde o Hip hop tem maior representatividade, a Famíl4Vidas tem ajudado à movimentar a cena na Zona Oeste da cidade. Oriundo de Carapicuiba, o grupo tem implementado nas cidade vizinhas mais iniciativa em prol do movimento.

Esse domingo acontece a 4º edição do torneio de beatmakers ,  Hip Hop Beats, e já estão programados outros eventos na cidade. Em conversa com o MC Pixote Xiita, integrante do grupo, ele  fala sobre o Hip Hop Beats  e os novos projetos. Confira!!

Entrevista realizada por Fabíola Ribeiro

Massala Diversidade Cultural -  Você estão organizando o Hip-Hop Beats que acontece esse domingo e também uma edição da festa Sintonia em Osasco. Como é a cena Hip-Hop na cidade?

Pixote Xiita - Em Osasco, a cena ainda está se iniciando, devagar, mas como a área engloba a Zona Oeste, acaba se tornando forte em matéria de Hip-Hop. Em relação aos eventos locais, acontecem os eventos da ORB Produções e o evento “Bate Caverna na Quadra”. Na cena de Carapicuíba, quem se destaca são: Família 4 Vidas, Brado Anchieta, 1MR4. Caos do Subúrbio e agora com a volta do grupo Ponto de Tráfico, só tem mais a fortalecer a cena local.

MDC - Quais as novidades para a 4º edição do Hip Hop Beats?

PX - As maiores novidades serão o show do Enézimo, do Pau de dá em Doido, além de ser um evento de batalha de beats. A premiação do evento ainda é modesta, mas para nós já é uma conquista: com essa realização, já podemos pensar um pouco mais longe neste sentido.

MDC - Depois de tocar com importantes nomes do rap nacional quais são as referências levadas para o “Retorno da Saga”? Fale um pouco mais desse novo trabalho.
PX - O “Retorno da Saga” é um disco muito planejado. Levamos um ano para ser feito, fizemos mais de 20 músicas, e escolhemos oito para estar no CD. Ele é dedicado a todas as pessoas que curtem nosso trabalho, e nos cobravam na rua. Taí a resposta, o trabalho dedicado a todas estas pessoas.

MDC - Quais os novos projetos da Família 4 Vidas?

PX - Estamos trabalhando este EP, as músicas e pensando em fazer um lançamento oficial dele. Também queremos realizar um videoclipe, que será gravado no mês de maio, além de projetar uma mix tape. E continuar correndo, sempre!!

quarta-feira, 23 de março de 2011

Liberdade de expressão: aprecie com moderação



- por Bárbara Ladeia*

Não é de hoje que o mundo das danças está tomado por um forte ímpeto de misturas. Louvável. Não há nada mais criativo nem verdadeiramente brasileiro do que a fusão cultural.

A ideia então é adotar um raciocínio, quase dialético, para a construção de novos padrões e formatos de expressão corporal. Ponto para o criador, ponto para a criatura. Perfeito sob o ponto de vista criativo, uma vez que abre um infinito de movimentos para corpos repletos de novas possibilidades.

Temos então diversas matrizes diferenciadas que uma vez combinadas são capazes de gerar subprodutos incríveis. Curvas inovadoras e linhas surpreendentes que preenchem o espaço de novas leituras musicais recheadas de outras expressões.

Se a dor e o ciúme do tango, por exemplo, puderem vir acompanhados da flexibilidade e intensidade dos movimentos das ruas, é inegável que teríamos algo surpreendente, inovador e, no mínimo, mais compatível com a realidade de um público muito mais acostumado com os esgueirar das realidades urbanas que dos grandes salões de bailes.

Musicalmente, muitas combinações e fusões já foram experimentadas. A maior parte delas com grande sucesso, propondo uma espécie de fusão nuclear. De dois núcleos rítmicos, conseguimos uma espécie de bomba experimental - dela temos por resultado uma nuvem sensorial, provocando os olhos, os ouvidos e alma, com sequelas irreversíveis.

Acompanhando o exemplo acima, experiências como Tanghetto e Narcotango não podem ser deixadas de lado. São grandes representantes da modernização do tango clássico a partir de uma cuidadosa fusão com os ritmos do hip hop e outras experiências eletrônicas.

No entanto, é a matemática da música quem não nos deixa pecar. O que agrada ou não os ouvidos é questão de afinidade, interesse, mas é inegável que o cálculo rítimico é que não deixa que o músico embarque na completa e irrestrita loucura, produzindo mais estranheza que verdadeiramente uma provocação aos ouvidos de seu público.

Na música há matemática, há padrões. A contagem do ritmo, as notas, os compassos não permitem que o verdadeiro músico se aventure por atividades cujo rótulo de “música” possa ser questionado. Na dança não temos esse trunfo, ou camisa de força — nome disso fica por sua conta.

Não é raro —que jogue a primeira pedra o bailarino ou coreógrafo que nunca viu — vermos cartazes e banners espalhados aos quatro cantos convidando para experiências incríveis em espetáculos ou números de dança baseados na tão falada “fusão de estilos”.

Nesse caso, a maior parte do que se vê se limita a uns passinhos de um estilo aqui, intercalados com uns passinhos de outro estilo acolá.Alguns giros, então o bailarino executa um final deslumbrante e voilá! Habemus coreografia. Para continuar seguindo meu exemplo, teríamos uns deslizes de perna, umas passadas cruzadas violentas, alguns lockings de ombros, um encerramento triunfal com sequências executadas no solo e está feito o espetáculo.

Há uma enorme lacuna no que tange o processo de estudo e pesquisa na construção das fusões em dança. Sinto falta de empenho e estudos, da dedicação em conhecer a essência de cada um dos estilos a serem trabalhados.

Sinto falta de pesquisas mais profundas que indiquem onde e exatamente porque eles podem e devem se cruzar neste ou naquele determinado ponto da performance — ou nela inteira. Com um trabalho corporal bem construído, a música sequer precisa sugerir a fusão dos estilos. É a dança quem vai dar as regras da leitura da música, uma vez que vivemos em um mundo de estímulos muito mais visuais que auditivos.

Se é para falar do quanto falta de pesquisa na construção de uma verdadeira fusão, o aspecto fisiológico de cada uma das modalidades não pode ser deixado de lado. Cada um dos estilos possui suas técnicas próprias, suas linhas e suas curvas.

Com um pouco mais de dedicação e empenho é possível encontrar pontos em comum, bem como algumas dissonâncias, o que tornam a construção desse momento artístico algo muito mais complexo e rico. Vale se perguntar, o tempo inteiro, onde as danças se encontram e se afastam, do ponto de vista anatômico e estrutural. Essa experiência confere um grau de intimidade com os movimentos perfeito para a criação de um novo repertório muito mais elaborado e repleto de nuances.

Tudo me leva a crer que nos falta a matemática. Falta, para a maior parte de nós, os estudos das origens dos movimentos e os cálculos da dimensão de cada um dos nossos deslocamentos, curvas, retas, contrações e expressões. Se a nós foi dado o melhor de todos os presentes, também nos foi oferecida a mais perigosa de todas as responsabilidades e, invariavelmente, o mais arriscado de todos os vícios: a completa, irrestrita e não calculada liberdade de expressão.
  • Fica minha sugestão de um lindo trabalho. Para mim esse foi o grande dia em que o Tango encontrou a Dança Contemporânea com sabedoria e sensibilidade.

Tango Sob Dois Olhares, de Roseli Rodrigues (Cia Raça de Dança)




* Bárbara Ladeia é jornalista e dançarina (DRT - 28511/SP).

segunda-feira, 21 de março de 2011

MC Raphão Alaafin lança nova música "Brigas" e concede entrevistaexclusiva para o Massala

"A correria em forma de gente". Assim se denomina o MC Raphão Alaafin,  que está na estrada há aproximadamente 12 anos e hoje lança mais um trabalho: a música "Brigas", que faz parte de uma série de canções especiais denominadas "Nosso Ritmo é Rap". A música é a quarta deste bloco, que tem como eixo principal os sentimentos que fazem parte de uma relação amorosa. Nesta entrevista exclusiva para a produtora Massala Diversidade Cultura, o MC fala da faixa em questão, de seus posicionamentos e dos vários projetos que está inserido, afinal, Raphão é o significado prático da frase que inicia este post. Confiram a entrevista e logo abaixo, o link para baixar o som!!

Entrevista concedida a Ana Fonseca

Massala Diversidade Cultural - Em "Brigas", o enfoque é sobre as discussões de relacionamento. Por que trabalhar o motivo na faixa? No decorrer da música, que pontos sobre o tema são abordados?

Raphão Alaafin - Na verdade, a idéia de “Brigas” veio da seqüência que a aborda o tema “Nosso Ritmo é Rap”, que foi meu presente de casamento para minha companheira, há três anos, e vem se repetindo por todos os anos. Aí fiz a NRR2 (Metendo Mala - Nosso Ritmo é Rap 2), a NRR3 (Encontro - Nosso Ritmo é Rap 3), e vi que estava tudo romântico demais, e nem nos contos de fadas toda relação é só amor. Tem discussão, tem treta, mas como eu digo no som: “se a briga é pra continuar o futuro, tá, fala...”. Enquanto estava produzindo a letra da faixa, percebi que a “graça” das brigas é essa: quando tem muito amor no meio, é para resolver, a briga é para continuar junto e não pra separar.

A música expressa  ondas de sentimentos, uma hora pra irritar, outra pra consolar, outra parte de ironia, como todas as brigas são. A música definitivamente é uma briga de casal, mas um casal que quer ficar junto, esse é o grande lance!

MDC - A faixa "Brigas" é a quarta música do bloco "Nosso Ritmo é Rap", todas falando sobre relacionamentos e paixões em geral. Qual é, pra você, a importância deste tema nas músicas? Pretende gravar mais faixas deste bloco?

RA - Esse “bloco” começou a partir de uma brincadeira que fazia com minha companheira, quando namorávamos. Fazia música para ela toda hora, mas bem intimamente, nada que  deveria ou poderia ser divulgado. Então no dia do nosso casamento fiz “Nosso Ritmo é Rap” (NRR1), que seria uma música em homenagem a ela sim, mas também uma música de trabalho, e na verdade a “saga NRR” mistura amor e música, e essa é a grande sacada, pois são as duas coisas principais que estão presentes desde o início em nossa relação, já que ambos somos amantes e estudiosos dela.

Acho importantíssimo o Rap abordar este tema, até porque um dos motivos seria  romper com o paradigma temático que acabamos reproduzindo; e a outra razão é que as relações fazem parte da vida de todo mundo, e o que é a música senão a expressão disso? Em relação a gravar mais faixas deste ‘bloco’, pretendo chegar até a NRR999 (risos)

MDC - Como você enxerga o trabalho do "MC Raphão" neste momento? Mais evoluído, com novas perspectivas?

RA- Mais evoluído sem dúvida. Até porque, depois de 10, 12 anos batendo cabeça, tem uma hora que você fala: “Opa! É isso que tenho que fazer”. Mas não quer dizer que todos estes anos, eu estava panguando, na verdade tudo aconteceu pra ser da forma que é hoje. Eu dizia: “Queria ter a cabeça que tenho hoje com 16 anos”. Se fosse tão simples, seria maravilhoso, mas não é: eu só estou com esta cabeça hoje, porque comecei lá atrás. Tomei “Pelé” de estúdio, criei e desmontei grupo, cantei em vários lugares sem transporte, sem grana, sem comida, sem estrutura, porém também já cantei em eventos com uma estrutura invejável, e tudo isso fez parte da experiência.

Neste momento estou sendo o que sempre fui: trabalho, correria, é isso tudo, mas de uma forma mais objetiva e organizada, avaliando sempre o momento do Rap, que muda a todo instante, inclusive quando vocês estiverem lendo esta entrevista, meus pensamentos já podem ter mudado (risos).

MDC - Uma característica marcante do seu estilo é a diversidade: musical, de letras, e de temas. Você encara como um diferencial no Rap? O que você pode dizer para novos grupos ou artistas, como estratégias para sair da 'mesmice', ou do senso comum?

RA - Que bom que as pessoas pensam assim. Gosto disso, trabalho para isso e não gosto de ser rotulado, tenho meu estilo e isso é ótimo pra mim. Canto em cima de beat de samba, de sampler, de miami beat, de jazz, de soul, porque minha vivência foi assim. Escutava samba com minha mãe, jovem guarda, brega, as modinhas, então isso foi se agregando à minha musicalidade. Como digo em “Rap Sim Rap Não”: ”eu rimo no reggae/no crunk/isso sim pra mim faz sentido/eu sou ragamurfi/sou funk/sou filho de um scrath/no meu peito tem um djembê/se é rap sim/ou rap não/agora eu te faço entender

Eu gosto de mostrar minha visão sobre variados assuntos, como eu vejo o futebol, como eu vejo o trabalho de um feirante, e coloco isso na minha música. Olho pra uma lata de lixo na rua e penso: “Dá uma música isso!”. Penso como um pintor, você pode usar varias óticas, tipos de pincel, tinta, sobre uma imagem só ou tema, você pode fazer vários quadros ou músicas, e assim vai.

Em relação aos novos artistas, tenho muito cuidado quando falo ‘mesmice’, porque a minha mesmice pode ser algo pra eles, arte não tem como julgar ou adotar padrões, não acredito em arte encomendada, criada artificialmente. Cada artista põe sua alma no trampo, até mesmo um quadro ou uma tatuagem pode ser encomendado, mas sempre terá a alma do artista.

MDC - Fale um pouco sobre o "Raphones", que é seu projeto para beats. Pretende trabalhá-lo mais a fundo?

RA –Raphones” é uma criança ainda, não quero forçar nada. Estou estudando teclado, comprei uma MPD, já produzo beats há quatro anos, e gosto de vários que fiz. No próprio “Amostra” tem alguns beats deste projeto. Estou indo com muita calma, tenho que pensar no trabalho do MC Raphão no momento.  Tenho vários beats do “Raphones” que quero usar, pois são muito bem produzidos, mas pra expandir este trampo preciso de tempo. Quero fazer mais pra frente uma mix tape do “Raphones”, mas com o selo “Ponarru” decidi que o momento é do Raphão, e ele tá nessa pegada de ir pras cabeças. Os beats deste projeto, vocês podem conferir em: www.myspace.com/raphones

MDC - Como surgiu a idéia do selo “Ponarru”? Ele tem algum diferencial em relação aos outros? Se sim, qual e por quê?

RA - Quando fiz o “Amostra”, já tinha mais ou menos 6 anos de músicas gravadas e nenhuma publicada, então veio a idéia de ter nosso próprio meio de distribuir e fazer todo mundo ouvir, por na rua (daí o nome, Ponarru). Se não chegar até as pessoas, não tem valor. E esse ano amadureci ainda mais a idéia. Quero gravar muita música, divulgar em todas as mídias possíveis e comercializar nossos produtos. O diferencial, como em todos os selos independentes, é ter certa autonomia com o que se produz, desde criação até a forma de divulgação.

MDC - O que o público do Raphão pode esperar para 2011?

RA - Três coisas: trabalho, trabalho e trabalho. Isso pra mim significa música, muita música. Quero fazer uma música melhor que a outra, acredito que assim o Rap vai se abrir mais ainda pra mim, mais portas. Nesse primeiro momento quero ser mais ouvido, mais comentado, e pra isso tem que ter trabalho. Às vezes é ruim você soltar uma música na net e ter poucos acessos, poucos comentários, me vejo como um artista que pode estar no circuito, no jogo, e um artista que merece uma atenção, então a meta pra 2011 é expandir meu público, e chegar cada vez a mais ouvidos, e é pra isso que eu trampo.

“E ai, vamo trabalhar?”




Arte desenvolvida por Edson Ikê

Download da faixa "Brigas", de Raphão Alaafin

[soundcloud width="100%" height="81" params="" url="http://api.soundcloud.com/tracks/12188151"]

Ou baixe pelo link

sexta-feira, 18 de março de 2011

Massala apresenta os eventos de abril: Massala Hip-Hop Party e Hip-HopCafé

No mês de abril, a produtora Massala Diversidade Cultural estreia em suas atividades, festas e eventos de vários tipos de culturas e linguagens.

Como o Hip-Hop é o carro-chefe, nada mais justo que iniciar apresentando dois eventos do segmento: o Massala Hip-Hop Party e a volta do  Hip-Hop Café, evento realizado em agosto de 2009 que  agora retorna com força total no comando dos Mc's Mamuti NusCorre e Tiagão.

Abaixo, confira os flyers e a programação dos dois eventos, além de um texto bem-humorado, que acompanha a arte:

MASSALA HIP HOP PARTY
Arte desenvolvida por Base MC  (Primeira Função)

Que Platão, que nada! Dia 9 de abril, a partir das 23h, a Massala Hip Hop Party será o palco do lançamento oficial do clipe "Mito da Caverna", o primeiro do MC Timm Arif, do grupo Primeira Função.
Além da premiere do vídeo, quem colar no Espaço Cultural No Fim do Mundo vai curtir as apresentações do S.I.P.A.M (Suprimento Indispensável para Amantes Musicais) e do Filosofia de Rua. Para a rapaziada não ficar parada, a festa vai contar com a discotecagem do DJ Mayk, do Terceira Safra, e do DJ Menor, também membro do Primeira Função. Quem ficou bolado com o nome do lugar, pode ficar relaxado que a casa fica na Rua Alfredo Pujol, 403, a quinze minutinhos do metrô Santana.
A entrada é R$ 10, tanto para homem quanto para mulher.
A festa é produzida pelo Massala Diversidade Cultural e conta com o apoio do Voz da Rua.




HIP-HOP CAFÉ
Arte desenvolvida por Danilo Rodrigues

O lugar mais aconchegante do Hip-Hop...mas sem Zero kcal e sem Nego Doce!!! É a definição do evento Hip-Hop Café, que volta com força total na sexta-feira do dia 15/04/ 2011, após a  bem-sucedida edição em agosto de 2009, na apresentação de Marcello Gugu. Esse ano, o evento vem totalmente reformulado: de casa nova, agora na Zona Norte, e sob o comando da festa está a dupla Mamuti NusCorre e Tiagão.

O show da noite será do Terceira Safra, grupo que está crescendo cada dia mais no cenário, e para esquentar mais esse Café, DJ Mayk comanda o som em todo o incrível ambiente do Espaço Cultural No Fim do Mundo, em mais uma grata parceria com a produtora Massala Diversidade Cultural.

O que se manteve foi o horário: das 19h as 24h, pra aquecer a sua balada ou terminar agradavalmente a sua sexta!! O preço é de cafézinho: R$7 reais! E apesar de ser Hip-Hop Café, também terá Double Chopp!!

O Hip-Hop Café é uma realização Massala Diversidade Cultural, com apoio do site Voz da Rua



Arte desenvolvida por Phill Terceiro (Terceira Safra)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Colunista da semana: Jéssica Balbino

Por que hip-hop?

Por Jéssica Balbino*

Tem sabor novo e frio na barriga. Como toda estreia. E é um prazer escrever estas primeiras linhas para o Massala. Fiquei pensando, diante da “folha em branco” sobre o que eu poderia falar. Não sei se o processo é o mesmo com todas as pessoas que escrevem, mas só consigo definir o tema depois de certa altura do texto.

Desta vez não será diferente, porém, quero falar aqui sobre hip-hop. E escrever assim, desta forma, me faz lembrar que há quatro anos, durante uma banca examinadora de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), vi um professor (mestre e doutor) questionar os alunos: “mas por que hip-hop?” e se alongou dizendo “é um tema tão batido”. Ensaiei a noite toda uma resposta para ele, na noite seguinte. Ele não fazia parte da minha banca, mas a questão ficou entalada e se fosse hoje, talvez eu me levantasse e responderia, durante a apresentação do outro grupo. Disse para toda platéia, e para ele, que falar de cultura nunca é demais. E hoje, quatro anos depois, ainda tenho essa resposta completa entalada na garganta. Talvez tenha chegado o momento de responder. Talvez ele jamais leia – a menos que eu envie esse texto para ele – mas, estou OCUPADA DEMAIS, vivendo o hip-hop, para de repente, fazer isso, no entanto, respondo caro professor, que falar de hip-hop porque é necessário, assim como falar de cultura e porque, se naquela época ele havia mudado a minha vida, imagine hoje.
Era o primeiro livro escrito, eu ainda não tinha um blog voltado exclusivamente para a cultura da periferia e tampouco recebia convites, como esse, para falar sobre o que eu quisesse. E sim, meu sonho era escrever. Crônicas, textos, contos, opiniões, livros.

Realizei todos eles e quer saber como? Através do hip-hop.

Na terça-feira pela manhã, comentei pelo twitter com o Alessandro Buzo e o Dudu de Morro Agudo, duas pessoas que conheci através do hip-hop e que acrescentaram muito em minha vida, que a cultura tem disso, né?! Traz-nos pessoas interessantes, que por mais que o mundo gire, vão continuar ali, produzindo seu trabalho e nos inspirando.

E por falar nisso, lembrei-me dos sonhos. Deveria, há quatro anos, ter mostrado isso ao tal professor. Ter dito a ele que o hip-hop permite sonhar e, mais do que isso, nos dá ferramentas para realizar. Acho que estou no caminho. Um dia, sonhei em poder, com as minhas pesquisas e palavras, mudar algo na vida das pessoas. Na última semana, recebi a notícia de que um trecho do meu livro havia sido inserido num livro didático do Estado do Rio Grande do Sul. Quer recompensa maior que essa? Ter o trabalho usado como ferramenta de educação ou ver alguém dizer: seu trabalho me fez aprender algo. Não tem preço e aí, querido professor, falar de hip-hop por isso. Por que transforma a vida das pessoas, para melhor.

*Jéssica Balbino é jornalista, escritora, blogueira e otimista. Acredita num mundo melhor a partir do hip-hop e da cultura ,e trabalha por isso

segunda-feira, 14 de março de 2011

Grupo Sipam - Ensaio Fotográfico e Entrevistas

No mês de fevereiro, em sua primeira parceria com a fotógrafa Jess Penido, a produtora Massala Diversidade Cultural realizou o ensaio fotográfico do grupo S.I.P.A.M. (Suprimento Indispensável para Amantes Musicais). A locação escolhida foi o centro velho de São Paulo: ruas e becos da região da Sé e Santa Ifigênia serviram de cenário para a demonstração tanto do talento da fotógrafa quanto do grupo.

Aqui no site do Massala, você poderá conferir como ficou o ensaio completo e um bate-papo tanto com Jess, quanto com o MC Guigo, integrante do grupo, falando sobre as impressões deste trabalho, referências e também sobre o S.I.P.A.M. Vale a pena conferir!!

Entrevistas realizadas por Ana Fonseca.

Jess Penido, fotógrafa:
Massala Diversidade Cultural: Como é o processo de escolha da locação para os ensaios
que realiza?

Jess Penido: Quando se trata de música, digamos que ela mesma escolhe o cenário (risos). Eu costumo ouvir o som de quem vai ser fotografado, vejo o que a música diz. A música sempre tem algo a dizer.

E então vem todo o processo de exploração do local, mas ao contrário do que alguns fazem, eu não vou antes ao lugar, prefiro tudo do jeito Freestyle. No caso do Grupo S.I.P.A.M., por exemplo, depois do ponto de partida fomos caminhando pelas ruas e becos e escolhendo os melhores lugares para fotografar. Talvez um modo de sentir a cidade, entrar na sintonia do concreto e transmitir nas fotos mais do que referências, mas também um significado.

MDC: Porque escolheu o centro da cidade para o trabalho com o grupo S.I.P.A.M? Você sentiu que o trabalho musical do grupo agregou valor ao ensaio? Teve alguma identificação com a locação escolhida?

JP: O som do S.I.P.A.M é muito urbano, suas letras expressam esse cotidiano de uma forma sagaz. Logo o Centro de SP era o lugar ideal. Mas onde seria o ponto de partida? Foi então que a própria capa do CD do grupo mostrou o ponto de partida: Ed. Altino Arantes (é uma das mais belas arquiteturas de São Paulo, e a vista quando se olha do Vale do Anhangabaú para o Edifício é simplesmente magnífica). Daí foi só uma questão de andar, fotografar pelas imediações e escolher os pontos mais conceituais, como a foto com o guarda-chuva.

É uma visão bem sutil, mas essa é a ideia, ver o que quase ninguém veria pra o trabalho ser sempre original, e de certo o Grupo S.I.P.A.M. faz isso, mostra através do seu som coisas que muita gente vê mas quase ninguém enxerga.



MC Guigo, grupo S.I.P.A.M.:

Massala Diversidade Cultural: Qual a impressão do grupo S.I.P.A.M. sobre o processo e o resultado deste ensaio fotográfico?

Guigo: A impressão que tivemos foi que o ambiente onde foi feito o ensaio estava perfeito para a essência do grupo. Temos um estilo que chamamos de "espírito urbano". O resultado ficou perfeito, afinal, pela maneira como foi conduzido por pessoas que contribuíram (fotógrafa, produtora e assessora de imprensa), mostrou realmente a alma e a essência do grupo.

MDC: Com um ensaio fotográfico profissional, novos eventos e shows, vocês acham que está se iniciando uma nova fase para o S.I.P.A.M.?

G: Acredito que sim, pois na verdade cada dia que se passa, temos uma certeza maior.As coisas estão fluindo naturalmente,claro que com o triplo de dedicação, e aos poucos estamos vendo o resultado desse novo ciclo.

MDC: Algumas pessoas comentam que o grupo tem muita influência, e até chegam a 'copiar' o grupo Pentágono, até pela região de origem ser próxima. Como vocês encaram esse fato? Esta grande influência realmente ocorre? Se sim, pensam em dar uma identidade própria ao grupo?

G: As nossas principais influências, em termos de flow, foram o SPFUNK e o Looptroop. Em relação às pessoas que acha isso, aí vai de cada um. Claro que o fato de ter sido o Apolo(A.G. Soares) o produtor do disco do S.I.P.A.M. e dos demais discos do Pentágono se torna óbvia uma marca registrada nos beats,mas em termos de flow, jamais. Sempre tivemos essa preocupação, de não ficarmos semelhantes a nenhum grupo, tanto que em estúdio muitas vezes eles estavam presente, e em NENHUM momento foi mencionado que estávamos "copiando". Se estivéssemos, com certeza o próprio Pentágono se manifestaria. Então hoje em dia, temos a consciência que essa "influência musical” não acontece. Gostamos muito do som do Pentágono, mas não a ponto de se deixar influenciar. Enfim, justificativas à parte, quando é uma crítica construtiva,acatamos sem problemas. Mas quando sentimos que é algo maldoso, simplesmente usamos aquela velha frase: "Sua opinião não me interessa".

MDC: Como vocês analisam o trabalho de produção cultural e assessoria de imprensa? Isso é fundamental para um bom desenvolvimento do trabalho ou é algo dispensável?

G: Este trabalho é extremamente importante para o crescimento de um grupo,em vários aspectos. Pelo menos para nós, é de extrema importância,principalmente quando se trabalha com pessoas que mostram interesse em fazer uma história, independente de ser “famoso”
ou não.Ainda existem mentes fechadas com o relação ao profissionalismo do rap,acham que ter produtora cultural ou assessoria de imprensa significa status, ou desnecessário, resolvem por si próprios,mas não entendem o quanto é importante encarar e viver o rap de maneira
profissional. É “fácil” fazer rimas, gravar e produzir então nem se fala..quantos beatmakers existem hoje em dia? Mas uma coisa é fato, quanto mais dedicação e profissionalismo o grupo tiver mais as portas se abrem.

MDC: Quais os projetos do grupo, a curto e médio prazo neste ano?

G: Divulgar, expandir ainda mais o nosso primeiro trabalho, a volta da festa "Escutaí!", que passa por reformulações no momento, e provavelmente um EP com músicas novas,porém essa ultima vamos deixar na surpresa!!

Confira algumas fotos do ensaio Fotográfico do grupo que se apresenta dia 19/03 no Festival RevivaRap e dia 09/04 no Massala HipHop:

sexta-feira, 11 de março de 2011

Massala Diversidade Cultural produz primeiro clipe de Timm Arif


Foto: Jess Penido




Na tarde desta segunda-feira, 07 de março, foram finalizadas as gravações do primeiro vídeo clipe do MC Timm Arif, integrante do grupo Primeira Função. Dirigido pelo produtor musical Issv, do Coisa Simples Estúdio, também produtor de "Paulistano", do MC Mamuti NusCorre, o  clipe de  "O Mito da Caverna", canção tirada do single homônimo e mais novo trabalho de Arif, foi ambientado no Jardim Brasil, zona norte de São Paulo.

Com produção de Base MC, também integrante do Primeira Função, a música fará parte do CD homônimo de Arif.  Ainda sem data confirmada tanto o clipe quanto o CD tem lançamento previsto  para o primeiro semestre de 2011.

Enquanto finalizam-se os trabalhos, o Primeira Função diponibilizou o  Making Of da produção de "O Mito da Caverna". Gravado de improviso, no estúdio musical de Base (Refugi-Áudio Estúdio)  e, em tom de brincadeira, o vídeo dá uma idéia de como ficará o single, além de proporcionar ao espctador conhecer um pouco mais do grupo.






Confira também a agenda de shows do gurpo no mês de abril:

quarta-feira, 9 de março de 2011

Colunistas Massala Diversidade Cultural - Mamuti NusCorre

“Cença” aqui.

Você parou pra pensar que existe uma visão de mundo além da que você tem? Provavelmente, NE?! E no mundo do rap não é diferente. Há várias visões, o que não quer dizer que uma seja mais correta que a outra, são apenas pontos de vista diferentes.

A diversidade garante a sobrevivência de uma espécie, e assim é com as culturas: se não houvessem pontos de vista, opiniões e jeitos diferentes de expressá-los, o Rap e o Hip-Hop já teriam ido para o limbo há muito tempo, desde quando alguns inventaram (e outros abraçaram) que o certo era dar ‘orelhada’ na molecada, de forma a falar que correto mesmo era ser como muitos dos MC’s falavam, e não como eles muitas vezes agiam nos bastidores. Mas isso é assunto para outras linhas.

Escrevi tudo isso, só para dizer que aqui expressarei meu ponto de vista, que pode não ser igual, nem parecido, às vezes até contrário ao seu, o que não quer dizer que seja mais certo, é só minha opinião, e estarei sempre aberto para ouvir/ler a sua, mesmo que oposta, porque é isso - diversidade de opiniões - que nos impede de cair em uma vala comum, e sermos, como já fomos intitulados, uma "Cultura de Bacilos".

Mas saiba que não sou de agressões gratuitas, todas as minhas opiniões são formadas e fundamentadas em fatos e argumentos sólidos, e por mais que não mudem sua opinião (e nem quero isso), mostram que não falo de nada sem o mínimo conhecimento da causa.


Mamuti NusCorre é tecnólogo em Produção Audiovisual, vice-campeão da Liga dos MC’s 2011, no Rio de Janeiro.Integrante do grupo NusCorre, é co-idealizador do festival Reviva Rap e fundador do site Voz da Rua. Foi campeão das batalhas de mc da “Rinha dos MC’s”, “Peleja da Gangueiragem”, “Batalha do Santa Cruz”, “Super Contra” e “Rua do Flow” (interior de São Paulo).

sexta-feira, 4 de março de 2011

Site Massala estreia time de colunistas

A partir deste mês, o Massala Diversidade Cultural conta com um time incrível de colunistas, que irão transcrever seus pontos de vista sobre suas áreas de atuação e muito mais, de forma fácil, bem humorada e leve.

Todos são atuantes em suas áreas, e se destacam pelo talento e criatividade. Neste espaço, teremos colunas sobre música, dança, economia, literatura, artes visuais e atualidades em geral, sempre com novidades em cada segmento.

A coluna será publicada no site toda quarta-feira, a partir do dia 09/03, e quem estreia é o MC Mamuti NusCorre. Confira os demais colunistas do Massala Diversidade Cultural:



segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Fahim (Primeira Função) lança single "Lições"

Rodrigo, ou MC Fahim, integrante do grupo Primeira Função, acaba de lançar o single "Lições". O som tem produção de Base MC, e já tem uma repercussão ótima. Confira o release de MC Fahim e o link para download do single:

"Fahim", nome de origem africana que significa O Instruído, foi adotado com o intuito de verbalizar que "Instruído pelo rap, transmito conhecimento",

Esta frase define a intenção de suas letras ao ouvir Fahim, residente do bairro do Jardim Brasil, cresceu ouvindo diversos tipos de músicas, e, devido às suas influências, criou uma paixão pela forma como acrescentavam tanto sentimento e a suas formas poetizadas de expressá-los.

Em meados de 2002, aos 12 anos, passou a adquirir uma identificação maior pelo RAP, e decidiu que iria atuar neste segmento, desenvolvendo a escrita de suas rimas e passou a participar dos shows do grupo Fator Sonoro que logo depois se fundiu ao grupo Dinastia Natural Autêntica e assim surgiu o atual Primeira Função. Suas rimas vêm com um jogo de levadas bastante versátil, seja em qualquer instrumental.

A técnica adotada não se limita, onde se deriva das suas influências musicais variadas, nacionais e internacionais, que formaram o alicerce para o seu desenvolvimento como músico e compositor. Fahim também participou do CD da Banda Sinhô Preto Velho, e atualmente agrega todas estas experiências na produção e lançamento de sua mixtape, prevista para 2011.

Confira "Lições", novo single do MC Fahim (Primeira Função) - prod. Base MC









quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Massala Diversidade Cultural entrevista Renan Inquérito

O rap nacional tem mais uma vez chamado a atenção da mídia, felizmente de forma muito positiva. Desta vez foi a estréia do ótimo videoclipe “Um Brinde”, do Grupo Inquérito. O vídeo tem sido visto e comentado nos veículos nacionais e internacionais. Para saber mais sobre a ideia, reflexões e repercussão de “Um Brinde”, o Massala Diversidade Cultural entrevistou Renan Inquérito, líder do grupo. Confira a entrevista realizada por Ana Fonseca.

Massala Diversidade Cultural: Como surgiu a idéia do videoclip "Um Brinde"? Pela reflexão sobre o tema? Experiências pessoais?

Renan Inquérito: A idéia de “Um Brinde” surgiu de observações diárias a caminho do trabalho, passando por canaviais, vendo a luta desses trabalhadores, vendo a maneira como o amargo trabalho dos cortadores adoça o bolso dos usineiros. Sem contar nas experiências pessoais, perda de familiares em acidentes de trânsito e doenças envolvendo o álcool.

MDC: Atualmente os brasileiros entram cada vez mais cedo no alcoolismo. O grupo pensa em atingir essa parte da população, que tem uma abrangência de aproximadamente 14 anos? Se sim, de que maneira?

RI: Com certeza, essa parcela de jovens é nosso público alvo, até porque a linguagem do Hip Hop é direcionada a eles, daí advêm a facilidade do diálogo.

MDC: Como estão sentindo a repercussão do teaser, e agora, da estréia do clipe?

RI: A repercussão está sendo ótima. Muitas pessoas estão abrindo os olhos e os ouvidos pro Rap: descobrindo, despertando e isso é muito bom não só pro Inquérito, mas pra todos que fazem o verdadeiro rap.

MDC: Tem planos de uma parceria , através do clip, com entidades educacionais ou setor público, por exemplo?

RI: Sim, nós  já temos parcerias concretizadas com Secretarias de Educação, Saúde, Cultura, etc.

MDC: Qual é a maior mensagem que o Grupo Inquérito quer passar em "Um Brinde"?

RI: Que o rap não está morto, o rap vive! Protesto, poesia e inteligência direcionados pro BEM!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Grupo Inquérito lança hoje o videoclipe da música "Um Brinde"

Grupo Inquérito lança hoje em todo o País e no exterior o videoclipe da música “Um Brinde”, que fala sobre um tema importantíssimo, e que, infelizmente, nunca deixa de ser atual: o alcoolismo.

A doença se caracteriza pelo conjunto de problemas relacionados ao consumo excessivo e prolongados do álcool; é entendido como o vício de ingestão excessiva e regular de bebidas alcoólicas, e todas as conseqüências decorrentes. O alcoolismo é, portanto, um conjunto de diagnósticos. Dentro desta doença existe a dependência, a abstinência, o abuso (uso excessivo, porém não continuado), intoxicação por álcool (embriaguez). Síndromes amnéstica (perdas restritas de memória), demencial, alucinatória, delirante, de humor, distúrbios de ansiedade, do sono e distúrbios inespecíficos são características marcantes do vício. Por fim o delirium tremens, que pode ser fatal.

No vídeo, o tema é retratado nos principais aspectos em que o álcool como doença aparece em nossa sociedade: a dissolução de famílias através do vício, além da auto-destruição; o poder da propaganda incentivando o uso; e as desculpas recorrentes dos alcoólatras para o seu uso como “beber socialmente”, “beber em dias de jogo de futebol”, entre outras.

Segundo o site http://www.alcoolismo.com.br/, o vício em álcool começa cada vez mais cedo entre os brasileiros, por volta dos 10 a 12 anos, e pior, com o estímulo dos pais. À medida que crescem, o uso se torna ainda mais freqüente, nas baladas e festas, atribuindo junto ao vício vários problemas além dos citados acima, como doenças sexualmente transmissíveis, violência e problemas de saúde crônicos, por exemplo.

O vídeo é mais do que simplesmente um clipe musical, é um alerta a todos, principalmente aos adolescentes e jovens adultos, que são o público maior do Hip-Hop, aos malefícios do álcool, de forma a que possam perceber claramente e se identificar, seja pessoalmente, ou ao seu redor, que o problema existe de forma continuada em nossa sociedade, e de fácil identificação por se tratar de uma característica abrangente e infelzimente estimulada pela sociedade em geral.

Com direção de Vras77, o vídeo será exibido em países como Inglaterra, Portugal, Estados Unidos, Cuba e Guiné-Bissau, além de estar aqui no Massala Diversidade Cultural. Confiram o ótimo videoclipe de “Um Brinde”.


Ilustração: Danilo Rodrigues (Dnl87)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Base MC e Primeira Função lançam Sound Cloud


O SoundCloud é um site que possibilita que você hospede e compartilhe arquivos de áudio facilmente, sem problemas com limites de banda ou bloqueio de links. Além de poder fazer o upload de composições próprias e podcasts, o serviço ainda fornece um widget que permite inserir um player compacto em sites ou blogs pessoais.

Seguindo a tendência de Sound Cloud entre os músicos, Base MC utilizou-se do site para disponibilizar seus beats próprios, em parceria com Casp Beatz e também de seu grupo, Primeira Função.

Muita qualidade, entre canções já conhecidas e composições novas, tanto do MC em produção solo, quanto do trabalho com o grupo.

Vale a pena conferir. E apreciar SEM moderação!!

Abaixo os links dos Sound Clouds!!



Foto: Luciana Faria


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Ana Fonseca fala sobre Emicida + Batalha do Santa Cruz naseção "Cartas" da Veja São Paulo

Na edição da Revista "Veja São Paulo - edição 2202", foi publicada ua reportagem sobre o rapper Emicida ("O matador de rimas"), que se referia ao seu sucesso, e à presença no Festival americano Coachella.

Ao publicarem esta reportagem, a produtora cultural e proprietária da produtora Massala Diversidade Cultural enviou uma carta comentando a reportagem, e informando o erro da mesma sobre a Batalha do Santa Cruz.

De nenhuma forma, a produtora cultural questionou ou criticou a reportagem, e sim, como trabalhadora da cultura, e do Hip-Hop, informou a devida Revista sobre a Batalha e fez comentários sobre a devida reportagem. A Revista VEJA SÃO PAULO  não publicou na íntegra a carta da produtora, mas aqui no site do Massala, logo após o texto publicado na Revista, segue a íntegra da carta. Acompanhem:

Texto publicado na Revista Veja São Paulo


Música
Primeiramente, gostaria de parabenizar a revista pela matéria “O matador de rimas” (2 de fevereiro), com o excelente Emicida, retratando seu progresso como MC e como artista. Nós, que trabalhamos com hip-hop, ficamos orgulhosos de contar com alguém sagaz, inteligente e empreendedor, que soube alavancar sua carreira em um segmento ainda visto com preconceito por grande parte da população brasileira. Também gostaria de ressaltar que a mencionada competição de rap da qual o cantor costumava participar chama-se Batalha do Santa Cruz e ainda ocorre em frente ao metrô, todos os sábados, das 20h30 às 23h30.
ANA FONSECA

Carta enviada à Revista Veja no Formato Integral


A/C Diretor de Redação da Veja São Paulo:Bom dia

Primeiramente, gostaria de parabenizar a Veja São Paulo pela matéria "O Matador de Rimas", com o excelente Emicida, retratando o seu progresso não só como MC, mas como artista. Nós, que trabalhamos com Hip Hop, ficamos orgulhosos de ter entre nós, alguém além de sagaz e inteligente, empreendedor, pois soube através de método próprio alavancar a sua carreira em um segmento ainda visto com preconceito por grande parte da população brasileira.
Só que, na matéria, há um dado incorreto. No trecho que diz:

"Na escola, preferia rimar a estudar. Tornou-se imbatível entre os colegas e passou a frequentar as competições de rap que ocorriam em frente ao metrô Santa Cruz, nas noites de sábado."

A competição citada, chama-se "Batalha do Santa Cruz", que além do próprio Emicida, colocou em evidência dentro do segmento vários outros artistas. A referida batalha existe há quatro anos, e AINDA OCORRE todos os sábados, das 20:30 as 23:30 em frente ao metrô Santa Cruz, na saída para o Colégio Arquidiocesano. O evento é devidamente autorizado pelo metrô de São Paulo e contribui muito como uma forma de educação pela arte dos jovens, dado que, a maioria do público presente se concentra na faixa dos 16 aos 25 anos. A batalha estimula o jovem que quer ingressar na vida musical através do Hip Hop a estudar, ler, ser alguém com cultura e informação, já que necessita destas ferramentas para as batalhas de improvisação (freestyle). Uma batalha não significa só uma pessoa satirizar a outra em forma de rimas: eventos como a Batalha do Conhecimento, realizado no SESC SP é uma prova disso, onde os artistas versaram em freestyle sobre assuntos sugeridos, e o campeão foi o organizador da Batalha do Santa Cruz, Marcello Gugu.

A referida Batalha tem organização do Coletivo Africa Kidz Crew, que além do próprio Marcello, tem outros organizadores. Sugiro que a equipe possa um dia realizar uma reportagem neste local e conhecerão mais de perto os valores de educação pela arte como citei.

Um ótimo dia a todos da equipe Veja São Paulo e, mais uma vez, parabéns pela matéria.

Att,
Ana Fonseca
produtora cultural
Massala Diversidade Cultural
http://www.massaladiversidade.wordpress.com/
orgmassala@gmail.com
f:(11)2061-5243 / (11) 6200-0655
Twitter: @massala_cultura / @anarfonseca

Segue o link da Revista Veja São Paulo - edição 2203, em que consta a carta na seção "Música": http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2203/cartas-sobre-edicao-2202

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Comunicado - Grupo S.I.P.A.M.


COMUNICADO



Nós, do Grupo de Rap S.I.P.A.M., comunicados a todos que  a responsabilidade de produção, assessoria de imagem e imprensa, projetos, agenda, contratos e agenciamento do grupo é da produtora Massala Diversidade Cultural, sendo direcionados a ela quaisquer assuntos referentes ao grupo.

Sem mais

31/01/2011

Massala Diversidade Cultural

http://www.massaladiversidade.wordpress.com/

www.myspace.com/massalabrazil

orgmassala@gmail.com

Twitter: @massala_cultura

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Timm Arif (Primeira Função) lança single "Incertezas"

Timm Arif

O MC, músico e poeta Timm Arif desde garoto costumava escrever poesias em seus cadernos, e, assim como nós, a arte tomou conta de sua vida. Mesmo com as dificuldades financeiras e sociais, seguiu em frente, com a poesia e com o Rap, até hoje se estabelecer com a carreira solo e  no grupo Primeira Função.

Timm lançou já um trabalho denominado “In Promo”, finaliza o seu CD “O Mito da Caverna”, mas hoje, especialmente no nosso site, lança seu single “Incertezas”. Confira abaixo a entrevista com o MC, feita pela produtora do Massala Diversidade Cultural Ana Fonseca, e o link para download do single.

Entrevista: Timm Arif

Por Ana Fonseca

Massala Diversidade Cultural - Conte um pouco da sua carreira, seu início e evolução.

Timm Arif: Na verdade eu sou apenas mais um Thiago entre os milhares existentes em São Paulo, nasci no dia 5 de março de 1984 em Osasco, se não me engano, e, segundo minha mãe, foi numa terça-feira de carnaval chuvosa, às 15hs. Sou o mais velho de cinco irmãos, sendo que três deles são por parte de pai, o qual raramente tenho contato. Morei em muitos lugares, mas eu passei boa parte da minha infância em Carapicuíba, onde eu fiz parte do projeto musical que existia na Cohab. Lá, fiz um curso básico de percussão, e por problemas financeiros eu deixei de freqüentar o curso com apenas seis meses de presença. Assim, aos 13 anos fui parar na Zona Norte, morei com minha mãe, avó e irmã, por uns meses na casa de parentes onde tive uma experiência transformadora na minha vida. Foi na Vila Gustavo, onde eu estudava e morava que fui tendo noção de como era o Rap na prática. Ainda na adolescência, na época que conheci o Akilah-Jelani, nós criamos o grupo Dinastia Natural Autêntica, e eu já orquestrava, sem saber, um sonho que cegamente já começava a dar raiz com o plantio que a vida proporciona.  Por incrível que pareça, o ritmo de vida em São Paulo foi altamente importante para o meu envolvimento e desenvolvimento com o Rap. Eu sempre tive o costume de escrever textos, fazer poesias e até mesmo criar histórias,em que quase sempre os animais tinham o poder de falar. Meu sonho era ser jogador de futebol, mas as circunstâncias não permitiram isso. A vida pro jovem de origem pobre e de descendência Afro como eu, muitas vezes, é um conjunto de desilusões seqüenciais que não geram escolhas positivas até o início da fase adulta. Acredito que isso me levou ao Rap. Aos 18 anos, já morando no Jardim Brasil, conheci Base Mc, o Nyack e o Fahim, ambos no projeto do "Risco Ao Rabisco" em que só eles eram alunos do DJ Marco, mas que eu freqüentava quando tinha um evento diferente. A nossa convivência gerou uma música chamada "Primeira Função" em que eu dei a idéia de que deveríamos exaltar a nossa maior função na vida. Essa música se tornou uma banca, e que mais tarde com a união dos trabalhos, surgiu o grupo "Primeira Função", que tem a formação original de Akilah jelani, Base Mc, Fahim, e eu, Timm Arif. Temos o trabalho chamado "Amanhã Seremos Ontem", lançado em dezembro de 2009, na época em que o DJ Nyack fazia parte do grupo. Esse CD citado é o meu primeiro registro musical como Mc.

MDC - Qual é a idéia principal desse single? Qual é a mensagem que você quer transmitir em "Incertezas"?

TA: O single surgiu depois do ano de 2010 em que eu percebi que a "cena" Rap, estava associada como uma cena mesmo, onde como numa cena tudo pode ser inventado pra vivermos num eterno "faz de conta". Os melhores discos de Rap pra mim, são "Raio X do Brasil" e "Rap É Compromisso", e neles, como em uma enciclopédia, eu encontrei o conhecimento necessário pro Rap e descobri que eu devo ser honesto com a minha música. E que, apesar da falta de escolha que é uma coisa cultural na periferia, eu posso sim fazer as coisas por talento, não só por missão, por que se formos relacionar missões na vida, todo mundo tem uma missão e a minha é manter a minha família bem, seja fazendo rap ou não. Isso tudo faz parte das incertezas que temos na nossa correria, com vitórias e derrotas. O Rap não pode ser uma cena, ele tem que ser real, não só dizermos que somos verdadeiros e devotos à cultura. Mas fazermos por ela de fato, não pelas pessoas, mas pela cultura, para que a cultura possa fazer algo pelas pessoas futuramente.

MDC - Como é a sua relação com a poesia: de que forma ela acrescenta a sua carreira como Mc? Pretende trabalhar esse lado poético mais a fundo?

TA: O Rap é "Ritmo e Poesia" e por isso minha relação com a poesia é constante. Quando eu era mais novo, um professor de Língua Portuguesa pediu um trabalho em sala de aula, em que nós devíamos juntar o máximo de palavras rimadas, e o vencedor ganharia uma estrela como participação, eu tinha uns 10 anos e consegui juntar uma folha inteira, o problema é que o garoto que ficou em segundo lugar não gostava de mim. Enfim, na hora da saída esse garoto e os amigos dele me bateram por que eu rimei melhor que ele, mas aí eu não só percebi a minha capacidade de rimar, eu percebi que as pessoas não suportam um preto vencedor, mesmo quando essa pessoa é uma criança. Eu vivo a minha poesia a fundo, por que nem todos os manos conseguiram ver suas habilidades no decorrer da vida, principalmente por conta da falta de incentivo à auto-estima e a cultura de educação escolar, por isso me esforço ao máximo. Tive sorte...

MDC - Fale da evolução do seu trabalho solo anterior "In Promo", para este trabalho "Incertezas". Sentiu diferença de um processo para o outro?

TA: Em cada letra que faço, eu percebo uma transformação na levada. Vou ficando mais criterioso com as batidas, não no sentido de melhor ou pior, mas sim na visão de trilha musical, na intenção de fazê-la completa ao meu gosto. O "In Promo" é isso aí, uma busca pela trilha que defina a Zona Norte, o que sou e como é a vida dos meus amigos que vivem desse lado da cidade, e "Incertezas" é um capítulo a mais dessa trajetória, com uma pequena diferença: eu não me prendi ao tema.

MDC - "O Mito Da Caverna" é o trabalho aguardado por todos que acompanham a sua carreira. Tem previsão de lançamento?

TA: "O Mito Da Caverna" será lançado em junho, e terá participações de artistas como Ninow Malokero, Primeira Função, Rincón Sapiência, Nando Vianna, Casp, Dj Will, etc...

MDC - O que os fãs podem esperar de Timm Arif para 2011?

TA: Não sou de promessas, mas para 2011 e sempre, eu só posso garantir honestidade com o meu trabalho!!

FAÇA JÁ O DOWNLOAD DO SINGLE "INCERTEZAS", DE TIMM ARIF


Foto: Ênio César